Iniciar na corretagem de imóveis é um desafio que vai muito além de aprender a vender. Para a maioria dos corretores iniciantes, o maior motivo de desistência não é a falta de clientes, mas a falta de organização financeira nos primeiros meses.
Sem salário fixo, com comissões variáveis e despesas constantes, muitos profissionais acabam se frustrando antes mesmo de consolidar a carreira. A boa notícia é que com organização e estratégia, é possível atravessar essa fase com mais segurança e clareza.
Por que tantos corretores desistem no início?
O problema raramente está no mercado. Ele está na falta de preparo financeiro para lidar com um modelo de renda instável.
Entre os erros mais comuns estão:
- Contar com a comissão antes da venda ser concluída
- Misturar dinheiro pessoal com dinheiro profissional
- Não ter reserva financeira mínima
- Ignorar despesas pequenas que se acumulam no mês
- Acreditar que “vai dar certo rápido” sem planejamento
A corretagem exige tempo de maturação. Quem entende isso, permanece.
1. Separe o dinheiro pessoal do profissional (desde o primeiro dia)
Mesmo que você ainda não tenha CNPJ ou empresa aberta, separe mentalmente e na prática suas finanças.
Crie:
- Uma conta bancária específica para a corretagem ou
- Um controle simples onde você registre:
- Entradas (comissões)
- Saídas profissionais (transporte, anúncios, cursos, alimentação em visitas)
Isso evita a falsa sensação de que “sobrou dinheiro”, quando na verdade ele já tem destino.
2. Entenda seus custos fixos reais
Muitos corretores iniciantes não sabem quanto custam por mês para continuar no mercado.
Liste tudo:
- Transporte (combustível, ônibus, aplicativos)
- Internet e telefone
- Alimentação durante o trabalho
- Anúncios ou portais imobiliários
- Taxas do CRECI
- Cursos ou materiais
Esse número é essencial. Ele mostra quanto você precisa faturar para não andar para trás.
3. Crie uma reserva mínima de sobrevivência
O ideal é ter de 3 a 6 meses de despesas básicas guardadas, mas sabemos que nem sempre isso é possível no início.
Se não der, comece com:
- 1 mês de reserva
- Depois avance para 2
- E assim por diante
Essa reserva não é luxo.
Ela é o que impede você de aceitar qualquer negócio ruim ou desistir no primeiro mês sem venda.
4. Planeje o uso da comissão (antes de recebê-la)
Um erro clássico é gastar a comissão inteira assim que ela cai na conta.
O correto é definir percentuais, por exemplo:
- 50% para despesas pessoais
- 20% para reserva financeira
- 20% para reinvestimento no trabalho
- 10% para impostos ou emergências
Esse hábito cria estabilidade emocional, algo fundamental para quem trabalha com vendas.
5. Reinvista no que traz retorno (não em tudo)
No início, evite gastar com:
- Cursos aleatórios
- Ferramentas que você não domina
- Promessas milagrosas de captação
Priorize:
- Organização
- Comunicação com clientes
- Presença digital simples e profissional
- Aprendizado prático e consistente
Menos impulso, mais estratégia.
6. Tenha uma rotina financeira semanal
Não espere o fim do mês.
Uma vez por semana:
- Revise entradas e saídas
- Veja quanto ainda pode gastar
- Ajuste decisões da próxima semana
Esse hábito evita sustos e mantém você no controle.
Organização financeira é permanência no mercado
A corretagem não é uma corrida de velocidade. É uma maratona.
Quem se organiza financeiramente:
- Aguenta o período sem vendas
- Toma decisões melhores
- Passa mais segurança aos clientes
- Evolui com consistência
Desistir cedo quase nunca é falta de talento.
É falta de estrutura.
🔗 Próximo passo recomendado
Se você está no início da carreira, leia também:
👉 Como começar na corretagem de imóveis do zero
👉 Erros mais comuns de quem começa na corretagem
No Superando a Meta, você encontra conteúdos de educação imobiliária feitos para quem quer evoluir com método, clareza e responsabilidade — sem promessas irreais.
Sobre o Autor
0 Comentários